7.4.08

Medo

Há duas semanas, a minha vizinha do andar de baixo, uma senhora que não costuma sair de casa devido à sua idade avançada, precisou de atendimento de emergência e foi levada para o hospital em uma ambulância. Tentei imaginar o que poderia ter acontecido com ela, mas me surpreendi totalmente quando sua nora me contou: ela estava com dengue. Fiquei espantada. Os mosquitos estão perto, muito perto. Eu, que já havia desenvolvido a teoria de que pegar dengue, no Rio de Janeiro, é uma questão de tempo, fiquei preocupada. Comprei Raid e coloquei em todas as tomadas da casa. Agora, passo repelente de hora em hora e troco as pastilhas azuis de quatro em quatro dias. Mas, mesmo assim, não estou tranqüila. Uma noite dessas, dentro do meu quarto, dei de cara com um mosquito grande, voando em minha direção. Desviei, tentei bater no bicho, mas ele foi mais hábil e pousou no teto. Fiquei parada, olhando pra ele, morrendo de medo. É o Aedes, é o Aedes, eu tinha certeza e sabia que não poderia dormir sem antes me livrar dele. Mas o inseto não demorou a voar mais pra perto e, assim que tocou na parede, bem em cima da minha cama, peguei minha sandália, juntei meu medo, minha força e minha raiva (por essa situação ridícula de temer um mosquito em pleno século XXI) e lhe dei uma porrada tão grande que ele não teve chance.
Aedes esmagado