E aí meu celular pulou do bolso de trás da minha calça, voou por uns dez segundos, usou o chão da ponte como trampolim e mergulhou no lago do Downtown. Pluft. Os peixes se agitaram e eu pensei: já era. Tentei resgatar o bicho, me abaixei, arregacei a manga do casaco, mas faltou coragem para enfiar o braço naquela água escura. Zuca, do meu lado, só fazia rir. Chamei o moço da segurança que chamou os caras da limpeza, mas eles não chegavam nunca. Sentei desolada no banquinho da praça observando meu celular lá no fundo, quieto. 5, 7, 10 minutos. Minha agenda, minhas mensagens, minhas fotos. Tudo por água abaixo. Me deseperei e, na falta de alguém mais capacitado, decidi agir. Levantei, subi a ponte, arregacei a manga e tentei espantar os peixes. Eram vários de vários tamanhos. Quando, enfim, eles deram um tempo, enfiei meu braço de uma só vez e puxei o celular correndo. Ele estava ligado. Tirei a bateria, enxuguei o aparelho e quando cheguei em casa sequei com secador. Hoje fui conferir o tamanho do estrago e, para minha surpresa, ele ligou e funcionou perfeitamente, como se nada tivesse acontecido.
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