28.5.07

Retrovisor

Olhei para aquela senhora ali, tirando o carro da vaga, e achei tão envelhecida, mesmo sem nunca tê-la visto antes. E fui andando, pensando se, em algum momento, ela percebera o tempo passando e lhe deixando tantas marcas.

16.5.07

16 de maio

Hoje é o meu aniversário! Ebaaaaaaaaaaaaa!

15.5.07

15 de maio de 2007

Só para não perder a oportunidade: eu tenho 30 anos.

!

Aí você faz as contas e descobre que tem trinta anos. Susto. Os joelhos começam a doer e você percebe como a vida voa bem diante dos seus olhos. Clichê? Não, verdade mesmo. E você começa a pensar que é tarde para tantas coisas, quando, na verdade, sempre é tempo de fazer o que realmente se quer.

14.5.07

Avionado

E eu que tenho medo de avião, ando percebendo que o perigo está na terra. O ônibus que eu pego todos os dias não oferece cadeiras pra todo mundo, nem cinto de segurança. E, no entanto, voa.

2.5.07

O taxista e o galo

Tava chovendo e eu, carregada de sacolas, nem pensei no bolso mirrado, peguei um táxi da Barra pra Botafogo. Ninguém precisava ter superpoderes para prever o tamanho do engarrafamento que eu enfrentaria. Era uma sexta-feira, véspera de feriado, eu voltava da Barra às 19h e o toró estava demais. Pronto. Quatro elementos infalíveis para dor de cabeça. Mas tentei deixar o stress do lado de fora do táxi. Afinal, lá dentro tinha ar condicionado e não era eu quem estava dirigindo mesmo. Acontece que o taxista não parecia disposto a enfrentar tanto tempo em um congestionamento. Quando avistou tudo parado em São Conrado, deu uma marcha à ré perigosa e se mandou para a Niemeyer. Só que todo mundo fez o mesmo e lá ficamos nós parados até Deus ter pena. Enquanto eu tentava abstrair, telefonando para todo mundo, o taxista nervoso perguntava pra si mesmo: E agora? E agora? Se tivesse um balãozinho saindo da minha cabeça, com certeza, eu teria escrito nele: Como assim, e agora? Relaxa aí, meu filho. Não tem jeito não. Eu, hein?! Não dei bola pro chilique e deixei ele escolher o caminho quando, muito tempo depois, chegamos ao Leblon. Segundo ele, estava tudo parado na Lagoa. Era melhor pegar o túnel velho. Não gostei. Pra quê aquela volta? Mas, eu estava tranqüila, deixei pra lá. Fui olhando os apartamentos da Vieira Souto, imaginando quanto deveria custar cada um deles, quando de repente ouvi o grito desesperado do taxista: nããããããão! Na mesma hora, meu corpo foi jogado pra frente, meu rosto se espremeu na parte de trás do banco do motorista e eu senti uma pancada na cabeça. Tudo muito rápido, veio o esporro: pow! Merda. O cara bateu o táxi e eu bati a cabeça. O taxista saiu desesperado do carro para ver o estrago, enquanto eu passava a mão no galo que se formava, tentando reconstituir o que havia acabado de acontecer. O cara só faltou chorar. Disse que não podia ter batido o carro, que não ia contar pra mulher dele, que precisava trabalhar e se perguntava como aquilo tinha acontecido já que ele estava dirigindo com tanto cuidado... Meu balãozinho: mentira! Enquanto isso eu ali, com uma dor na cabeça, sem entender como havia batido o côco se na verdade havia sido jogada pra frente. Fui ficando puta com o homem porque ele não estava nem aí comigo. Porra, eu poderia ter me lenhado! Meu pescoço doía, tudo poderia ter sido muito pior e o cara preocupado só com o carro dele. Fiquei séria até ele, enfim, me perguntar se eu havia me machucado. Respondi que sim: bati a cabeça, dei um jeito no pescoço e quase cortei a minha boca. Ele nem ouviu e voltou para avaliar o amassado do amarelinho. Pelo seu descaso, nem consegui ficar sensibilizada com o lamento dele. Fiquei foi preocupada com o meu galo, que a cada segundo parecia ficar maior e mais dolorido.

1.5.07

Entre peixes

E aí meu celular pulou do bolso de trás da minha calça, voou por uns dez segundos, usou o chão da ponte como trampolim e mergulhou no lago do Downtown. Pluft. Os peixes se agitaram e eu pensei: já era. Tentei resgatar o bicho, me abaixei, arregacei a manga do casaco, mas faltou coragem para enfiar o braço naquela água escura. Zuca, do meu lado, só fazia rir. Chamei o moço da segurança que chamou os caras da limpeza, mas eles não chegavam nunca. Sentei desolada no banquinho da praça observando meu celular lá no fundo, quieto. 5, 7, 10 minutos. Minha agenda, minhas mensagens, minhas fotos. Tudo por água abaixo. Me deseperei e, na falta de alguém mais capacitado, decidi agir. Levantei, subi a ponte, arregacei a manga e tentei espantar os peixes. Eram vários de vários tamanhos. Quando, enfim, eles deram um tempo, enfiei meu braço de uma só vez e puxei o celular correndo. Ele estava ligado. Tirei a bateria, enxuguei o aparelho e quando cheguei em casa sequei com secador. Hoje fui conferir o tamanho do estrago e, para minha surpresa, ele ligou e funcionou perfeitamente, como se nada tivesse acontecido.

Pausa

Que saudade do meu violão.