11.6.06

Tempo fermento

Diálogo entre uma avó de 88 e uma neta de 30 anos.

- Minha filha, você não pára de crescer, hein?
- Eu?! Você acha, vozinha?
- Cada dia que vem aqui você está maior.
- Não é impressão, não?
- Não, é verdade.
- Hum... vozinha... você sabe quantos anos eu tenho?
- Você? Ah, não sei minha filha.
- Chute!
- Hãn?
- Olhe aí pra mim e diga. Quantos anos você acha que eu tenho?
- Hum... uns 13?
- 13?!
- ...
- Não, não... é mais, vozinha... é mais...
- Mais? Não sei... 15, 16?
- Não... é mais...
- Mais?
- ...
- ?
- 18. Eu tenho 18, vozinha.
- 18?! Isso tudo, minha filha?
- Pois é...
- Isso tudo!
- É, vozinha... O tempo passa, né?
- O tempo passa...

Sobre amídalas e faringes

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão... (Eta, detesto Engenheiros do Havaí e a voz chorosa de HG). Mas um dia... um dia afirmaram que se eu tirasse as amídalas nunca mais sentiria dor de garganta. E parecia tão bom e verdadeiro que eu acreditei. E meus pais também. Acho que foi por isso e, claro, pela perspectiva de alívio que fui andando sorridente para a sala de cirurgia. Ou então foi por desconhecer os riscos, mesmo de uma operação considerada extremamente simples. A verdade é que, na época com apenas 6 anos, eu estava bem distante da hipocondríaca que mais tarde me revelaria... Bom, eu fui e ainda me diverti com os sapatinhos e o chapeuzinho engraçado que me deram pra colocar. Mas a operação que costuma levar em média cinqüenta minutos demorou mais do que quatro horas. Uma garganta cheia de vasos sanguíneos – a minha! - deixou os médicos em apuros e eu com a corda no pescoço. Vixe Maria, isola, Deus me livre. Deu tudo certo, enfim, e voltei para o quarto. Mas não consigo esquecer a sensação de acordar com uma zorra de um tubo que saía do nariz até a garganta. Hor-rí-vel! Me senti completamente sufocada até conseguir respirar com aquele troço. Ainda tive uma noite pra lá de animada quando, tentando me acalmar e me fazer dormir, um plantonista me deu um remédio à base de Sulfa. EU SOU ALÉRGICA A SULFA!!! Bom, sobrevivi. E bem. Livre das dores de garganta por muito tempo. Até que um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão. E eu descobri que as amídalas têm uma função importante: proteger a faringe! Putz grila. Aí conheci uma dor muito mais punk, que além de se manifestar quando um alimento passa pela garganta, acha justo encrencar com o próprio ar.

Este post foi escrito por uma pessoa que não dorme há duas noites por causa de uma crise de... faringite.