Em homenagem à Vidha, que fez aniversário na semana passada, aí vai mais um texto da época do Butuca: Histórias da Lauro Muller 96.
Morávamos na mesma casa e trabalhávamos no mesmo lugar. Vidha tinha carro, um KAzinho sholes que morava na garagem porque no Rio vaga na rua é coisa rara. Por isso mesmo, e porque o 107 passa rápido, a gente sempre ia de busu para o trabalho. O trajeto Urca-Flamengo era tranqüilo na ida e engarrafado na volta, mas já estávamos acostumadas. Pelo menos não passávamos pelo stress das orações e mandingas à procura de uma vaguinha.
É, mas naquele dia foi diferente. Não sei por que, não sei mesmo, Vidha acordou e resolveu que ia levar o KA pra passear. Vamos de carro hoje, Cúia? Eu, que não gosto mesmo de andar de busu e adoro uma mamata, concordei na mesma hora. Fomos e por milagre conseguimos estacionar facilmente, uma rua atrás do nosso destino.
Sobre o dia, o que eu lembro é que ele foi punk. Correria danada, stress, loucura total. Acho que estou procurando uma justificativa plausível para o que aconteceu depois, mas é melhor contar primeiro...
Saímos da Mr. Vox lá pelas sete e meia da noite e, conversando sobre o trabalho, nos dirigimos para o ponto, onde pegávamos nosso busuzinho todas as noites. Demorou um pouquinho e lá veio ele. O 107 completamente lotado. Cansadas, não hesitamos e entramos naquele mesmo. Custou, mas finalmente duas pessoas saíram e eu sentei num banco e, na minha frente, Vidha sentou em outro. A hora do rush estava comendo solta. Um engarrafamento daqueles. Quando o ônibus fez menção de entrar na Praia de Botafogo, àquela hora completamente intransitável, ainda lembro que pensei como gostaria de estar dentro de um carro. Afinal, se assim fosse, pegaríamos o Aterro, caminho que naquele momento estaria bem mais livre. Enquanto isso, Vidha esbravejava sobre a infelicidade de ser pobre. Se tivéssemos dindin, pegaríamos um táxi e não passaríamos por aquele perrengue...
É. Mas essa não era a realidade. E, sem carro, a resignação era o que faltava. Mas a situação era dramática. Um calor, um aperto, um cansaço, um mau humor e assim eu e Vidha já não conversávamos sobre nada. Eu só mentalizava a minha casinha looonge...
Estávamos quase chegando, quando Vidha soltou um grito.
- Cúia!!!
E eu, já com medo de saber:
-O que foi?
E ela de novo:
- Cuia!!!
- Ai, meu Deus! O que foi???
- É muito grave!!!!
-Hã???
E ela, balançando a cabeça...
- É muito grave!!!
Bom, preciso dizer? Pra mim, na melhor das hipóteses, ela tinha acabado de ser assaltada, sei lá! Foi aí que ela tirou da bolsa um chaveiro e começou a balançar o maldito na minha frente.
P-u-t-a q-u-e p-a-r-i-u!!! O carro!!! O safado do KA estava lá, esperando a gente. Não era possível aquilo, não podia ser. Tudo bem que acontecesse com uma pessoa, mas ali eram duas!!! Não podia ser verdade. Fomos de carro e voltamos de ônibus...
Surreal. Rimos o resto do trajeto inteiro. Quando chegamos em casa, jantamos, esperamos o engarrafamento passar, chamamos um táxi e fomos buscar o pobre automóvel esquecido. Pobre? Pobre de nós, isso sim! Mas, pelo menos, até hoje, quando lembro daquela chave balançando no ar, me acabo de rir.
Morávamos na mesma casa e trabalhávamos no mesmo lugar. Vidha tinha carro, um KAzinho sholes que morava na garagem porque no Rio vaga na rua é coisa rara. Por isso mesmo, e porque o 107 passa rápido, a gente sempre ia de busu para o trabalho. O trajeto Urca-Flamengo era tranqüilo na ida e engarrafado na volta, mas já estávamos acostumadas. Pelo menos não passávamos pelo stress das orações e mandingas à procura de uma vaguinha.
É, mas naquele dia foi diferente. Não sei por que, não sei mesmo, Vidha acordou e resolveu que ia levar o KA pra passear. Vamos de carro hoje, Cúia? Eu, que não gosto mesmo de andar de busu e adoro uma mamata, concordei na mesma hora. Fomos e por milagre conseguimos estacionar facilmente, uma rua atrás do nosso destino.
Sobre o dia, o que eu lembro é que ele foi punk. Correria danada, stress, loucura total. Acho que estou procurando uma justificativa plausível para o que aconteceu depois, mas é melhor contar primeiro...
Saímos da Mr. Vox lá pelas sete e meia da noite e, conversando sobre o trabalho, nos dirigimos para o ponto, onde pegávamos nosso busuzinho todas as noites. Demorou um pouquinho e lá veio ele. O 107 completamente lotado. Cansadas, não hesitamos e entramos naquele mesmo. Custou, mas finalmente duas pessoas saíram e eu sentei num banco e, na minha frente, Vidha sentou em outro. A hora do rush estava comendo solta. Um engarrafamento daqueles. Quando o ônibus fez menção de entrar na Praia de Botafogo, àquela hora completamente intransitável, ainda lembro que pensei como gostaria de estar dentro de um carro. Afinal, se assim fosse, pegaríamos o Aterro, caminho que naquele momento estaria bem mais livre. Enquanto isso, Vidha esbravejava sobre a infelicidade de ser pobre. Se tivéssemos dindin, pegaríamos um táxi e não passaríamos por aquele perrengue...
É. Mas essa não era a realidade. E, sem carro, a resignação era o que faltava. Mas a situação era dramática. Um calor, um aperto, um cansaço, um mau humor e assim eu e Vidha já não conversávamos sobre nada. Eu só mentalizava a minha casinha looonge...
Estávamos quase chegando, quando Vidha soltou um grito.
- Cúia!!!
E eu, já com medo de saber:
-O que foi?
E ela de novo:
- Cuia!!!
- Ai, meu Deus! O que foi???
- É muito grave!!!!
-Hã???
E ela, balançando a cabeça...
- É muito grave!!!
Bom, preciso dizer? Pra mim, na melhor das hipóteses, ela tinha acabado de ser assaltada, sei lá! Foi aí que ela tirou da bolsa um chaveiro e começou a balançar o maldito na minha frente.
P-u-t-a q-u-e p-a-r-i-u!!! O carro!!! O safado do KA estava lá, esperando a gente. Não era possível aquilo, não podia ser. Tudo bem que acontecesse com uma pessoa, mas ali eram duas!!! Não podia ser verdade. Fomos de carro e voltamos de ônibus...
Surreal. Rimos o resto do trajeto inteiro. Quando chegamos em casa, jantamos, esperamos o engarrafamento passar, chamamos um táxi e fomos buscar o pobre automóvel esquecido. Pobre? Pobre de nós, isso sim! Mas, pelo menos, até hoje, quando lembro daquela chave balançando no ar, me acabo de rir.

2 comentários:
Ri alto aqui no trabalho!! Vou te contar umas boas tb...
Bjoooooo
muito engraçada...
rsrs...
são acasos sempre nos surpreendendo..hehe
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