12.7.06

Encarte

Entre os muitos mistérios que sustentam a nossa existência, sem dúvida o tempo é um dos mais intrigantes. De fato, há muito os homens tentam se relacionar com esta dimensão, procurando primeiro decifrá-la depois defini-la. Na busca por essa compreensão, criou parâmetros para racionalizar a prisão que o tempo nos impõe esforçando-se inutilmente para aprisioná-lo entre ponteiros...
Se após muitas análises chegou-se à conclusão de que o tempo é a sucessão de horas, dias, meses, anos... que envolve a noção de presente, passado e futuro, não seria exagero afirmar que meu pai, sempre sensível e à frente do seu tempo, através de uma idéia genial, conseguiu, sim, parar os ponteiros e dar-nos de presente o que nossa memória seria incapaz de fazer. Nos libertou das amarras do modo indicativo, registrando em fitas K7 pérolas de nossa infância. Nos presenteou com a relíquia mais valiosa: a possibilidade de reviver situações e sentimentos, com a urgência de uma infância doce como Caramelo, o palhaço. Egocentrismo, vaidade, mas sobretudo, pureza, se misturam no decorrer das gravações das “meninas” que Mila e Moina tanto queriam ouvir cantar. A curiosidade, as delícias do aprendizado, a inocência de quem muito desconhece, os primeiros brinquedos, tias e colegas, está tudo gravado. Sensações há muito esquecidas como a ansiedade da primeira viagem de avião, a alegria das festas de aniversário e dos presentes de Natal, a surpresa causada pela união das primeiras letras. Entre muitos “Atirei o pau no gato”, “Adeus meu jardinzinho”, “Ai lili ai lo”, se ouve a voz (linda!) do responsável por tudo isso, como um mediador das birras de criança, incentivador dos talentos naturais, ele próprio demonstrando o seu maior talento natural: o de ser pai. Com esforço, no background desta atmosfera feliz, sente-se mais do que ouve-se a voz sempre forte e decisiva de minha mãe, e o latido de nossa amada Pritty, completando a realidade de nossa família.
Se para o tempo não há stop, Moina e eu temos o privilégio de poder apertar o play e rebobinar a fita quantas vezes quisermos. Este Cd é o reconhecimento do esforço de meu pai e a tentativa de prolongar estes registros, graças à tecnologia alcançada justamente com o passar de nosso ilustre (des)conhecido... o tempo.

Mila
Dezembro, 1999.

6 comentários:

Anônimo disse...

Dá-lhe Tio Luscas!! Eu já ouvi um pedaço das fitas, eu acho!!Se nao, de tanto vc me falar e cantar, já absorvi alguns momentos!! Legal pra caramba!

Anônimo disse...

ah! por via das duvidas, fui eu, Beeeebs, que deixei o recadinho acima, viu? hahahahahaha podia ter deixado no mistério de um leitor anonimo...mas nao ia durar muito tempo! haha

milabart disse...

Hahaha! Sempre Bebs! Minha leitora assídua! Saudade da porra de vc!

Anônimo disse...

*retardatário de novo :P*
Num liga não é q eu num tenho o q fazer aí tô lendo, vem cá, se eu ficar comentando vc me dá ums pontinhos.. ó q eu faço vc ganhar dinheiro!!
Rsss... Simmm, mas tão bonitinho isso, eu tb tenho umas fitinhas dessas, eu tinha acho q dois anos e tava cantando "vou pintar um arco-íris de energia" Xuxa. Passado macabro, huuuuu! E chamando meu pai de calo, óo q lindinho, tão bonitinho...

milabart disse...

Hahahahaha!

Anônimo disse...

Esse texto é o mai lindo de todos...
Moina