2.3.06

Lost

O que me importa se lá fora é carnaval? Essa alegria deslavada, essa agonia de sorrir mesmo levando pisada no pé. Essa vontade de superar o cansaço de descer ladeiras, empurrar gente, pular, andar, beber e depois subir a Barra inteira. Essa disposição, hoje eu não tenho. Até tentei disfarçar o desânimo com entusiasmo regado a whisky e música alta. Mas whisky não é mesmo minha bebida. E alegria não é o meu forte. Pelo menos hoje, se é alegria, não estou. Que me importa se lá fora é carnaval? Não sei mesmo lidar com a ausência, com a perda. E toda essa festa é fugaz. Vai sumir voando pela janela, quando o dia cinza chegar. E o que eu vou fazer, então? Haha. Vou fingir que tudo bem, como todo mundo. Vou comprar fotografias, como todo mundo. Vou contar quantas bocas beijei, como todo mundo. Vou programar a folia do ano que vem, como todo mundo. Vou voltar à idiotice, como todo mundo. Mas e a falta? E o silêncio de depois do trio? O vazio que fica no asfalto urinado e salpicado de cerveja? A perda é o álcool que virou dor de cabeça. O gosto bom não volta. Já foi, já era. E o paladar não vive de lembrança. O que me importa, afinal. Se não sei lidar com a ausência. Essa imagem, tive nítida. Foi assim, de repente, quando a matiz já estava comprometida. Quando experimentava essa tal alegria de festa dionisíaca. Numa dessas esquinas abarrotadas de gente, vi o amor perdido, em minha frente. Nos cumprimentamos. Procuramos saber como estávamos. E nos despedimos tão rápido quanto dura o êxtase do lança. Pim... adeus, evaporamos. Mas deu pra ver. No empurra-empurra do bloco que vinha, deu pra ver que o amor perdido não estava sozinho. Estava já buscando outro amor, outra paixão, outra aventura, o quer que seja, ou venha a ser, ele, o amor perdido, não estava sozinho. E nesse instante, tal qual o ébrio que retoma a consciência depois de um café bem amargo, assim mesmo percebi o barulho que faz, a gravidade que tem um amor perdido. Mesmo com o não saindo da minha boca, mesmo com a intenção firme de ser só, por enquanto, mesmo assim, entender o amor perdido não é aceitá-lo. É senti-lo quando não existe mais. É buscar o gosto que virou gole, desceu garganta. Pois então, afinal, o que me importa se lá fora é carnaval? O amor perdido pula por aí e o meu coração suspira cansado.

3 comentários:

Anônimo disse...

Nada como ter amigos certo para te animar nas festinhas VIPs Salvadorianas.....
aliás, foi a mesma pessoa que escreveu Lost e depois Amigos I e II??? êê...nada como um caviar...!

milabart disse...

Haha! Não foi o caviar, Bebssssss... Foram os amigos!

Anônimo disse...

sei...hehehehe