Tô passando um tempo na lua. Mudei pra cá há algumas semanas. Só volto pra Terra para saber como andam as coisas, cumprir obrigações, tomar banho de mar, checar meus e-mails. O resto do tempo passo aqui mesmo. Respirando fundo, escutando o silêncio, contemplando a minha (a nossa) pequenez. Eu gosto muito de vir pra cá. Faço isso de vez em quando, sempre que sinto necessidade. Não, não é fuga. É recesso, recanto, vontade de sumir do mapa, virar esquecimento ou saudade. Desejo de sentir alívio encarando o infinito e reduzindo os problemas a partículas invisíveis a olho nu. Aqui faz um friozinho gostoso de ar condicionado na temperatura ideal. E os pensamentos flutuam sem gravidade nenhuma. Daqui de cima, o confuso planeta é paisagem tranquila e misteriosa. Admirar o segredo (sagrado) me deixa azul e leve.
29.3.06
19.3.06
13.3.06
10.3.06
Sem noção
Okein. Pior do que pular o carnaval de sandália é... pular o carnaval de havaianas e esparadrapos nos dois dedões e calcanhares. Sim. Encontrei uma figura com essa fantasia. Eu estava em uma fila enooorme e leeenta de banheiro, louca pra fazer xixi, quando apareceu essa criatura, com cara de coitada, e virou pra moça que organiza o esquema:
- Moça, olha, estou com o pé machucado. Posso passar na frente?
A moça, prudente:
- Só se as meninas da fila concordarem.
Eu, que sou gente boa, mas não tenho cara de otária, me adiantei logo num sonoro e indiscutível não:
- De jeeeito nenhum.
Ora bolotas. Até parece que ninguém ali, no sexto dia da folia, tinha o pé dolorido ou machucado. Agora, se a menina estava realmente com os dedões tão estropiados, como os espadrapos queriam fazer crer, uma avenida lotada de gente pulando feito sapo não era lugar pra ela. Foi o que eu tentei explicar. Mas ela não gostou não.
- Moça, olha, estou com o pé machucado. Posso passar na frente?
A moça, prudente:
- Só se as meninas da fila concordarem.
Eu, que sou gente boa, mas não tenho cara de otária, me adiantei logo num sonoro e indiscutível não:
- De jeeeito nenhum.
Ora bolotas. Até parece que ninguém ali, no sexto dia da folia, tinha o pé dolorido ou machucado. Agora, se a menina estava realmente com os dedões tão estropiados, como os espadrapos queriam fazer crer, uma avenida lotada de gente pulando feito sapo não era lugar pra ela. Foi o que eu tentei explicar. Mas ela não gostou não.
Miseravonas
Cá entre nós, pular carnaval de dedo de fora não dá. Mas tem gente que não tá nem aí. É o caso de duas meninas que encontrei no Coruja. Elas calçavam sandálias de salto plataforma e eu, sem acreditar, perguntei se elas eram marinheiras de primeira viagem. Para meu espanto, a resposta foi diferente. Segundo elas, quem é miseravona pula o carnaval assim. Ah tá.
Sobre a importância... III e IV
E não acabou por aí. Segunda-feira, quinto dia da folia, fui presenteada por Chris Chris com um abadá do Coruja. Eu só, não, né? Meeela, Tetis e Filipones idem. Não tenho nem o que dizer. Se sair atrás do trio de Ivete é bom, de graça, então, é sholes de bules.
E só porque eu já estava ficando mal acostumada, terça-feira, sexto dia da folia, Gincas apareceu com 4 pulseiras dos Mascarados. Embrulhadas pra presente, claro. Ai, ai, assim é bom demais!
E só porque eu já estava ficando mal acostumada, terça-feira, sexto dia da folia, Gincas apareceu com 4 pulseiras dos Mascarados. Embrulhadas pra presente, claro. Ai, ai, assim é bom demais!
2.3.06
Sobre a importância de ter os amigos certos II
Sexta-feira, segundo dia de folia. Estava sem saco de enfrentar a pipoca, quando Meeela me ligou convidando para uma festinha. Tudo free, numa cobertura na Barra, com vista total para a festa. Sholes. Claro que eu fui. Eu, Meeela e Filipones nos juntamos a Tia N., a verdadeira convidada. Bueno, quando chegamos na cobertura, além da vista punk para o circuito, deu logo para perceber que a noite ia ser boa. Em cima da mesa, comida, muita comida. Sem brincadeira, a coisa ia do acarajé com camarão a um patê chiquérrimo de atum, diversos tipos de pães – comi pelo menos uns dez pãezinhos delícia - e caviar. Sim, sim, sim. Isso mesmo. Caviar. Fui logo tratando de me abastecer com a iguaria e Meeela não perdoou:
- Cúia, e você gosta de caviar?!
Eu, pobre, respondi:
- Rapaz, a última vez que comi, não gostei não. Mas, é caviar, né? Tenho que aproveitar.
E assim me empanturrei tanto que mudei de opinião. O troço é bom mesmo. Enquanto nossos copos não chegavam à metade – o garçom logo providenciava uma nova Bohemia - notamos que o whisky servido ali era nada mais nada menos do que Belelack. Sim, sim, sim. Be-le-lack. O legítimo Black Label. Eu, que não bebo whisky desde que tomei juízo, arrisquei até uns golezinhos de leve, só pra dizer que bebi Be-le-lack. Pobre é assim mesmo. Tem que curtir quando tem. E foi isso que eu fiz. Aproveitei deveras. Aliás, aproveitamos. Eu, Meeela e Filipones gastamos muito bem a nossa oportunidade vip. E esse carnaval comprovou o que eu já sabia. Sem sacanagem, mas com muita tiração de onda, quem tem certos amigos, tem os amigos certos. Haha.
- Cúia, e você gosta de caviar?!
Eu, pobre, respondi:
- Rapaz, a última vez que comi, não gostei não. Mas, é caviar, né? Tenho que aproveitar.
E assim me empanturrei tanto que mudei de opinião. O troço é bom mesmo. Enquanto nossos copos não chegavam à metade – o garçom logo providenciava uma nova Bohemia - notamos que o whisky servido ali era nada mais nada menos do que Belelack. Sim, sim, sim. Be-le-lack. O legítimo Black Label. Eu, que não bebo whisky desde que tomei juízo, arrisquei até uns golezinhos de leve, só pra dizer que bebi Be-le-lack. Pobre é assim mesmo. Tem que curtir quando tem. E foi isso que eu fiz. Aproveitei deveras. Aliás, aproveitamos. Eu, Meeela e Filipones gastamos muito bem a nossa oportunidade vip. E esse carnaval comprovou o que eu já sabia. Sem sacanagem, mas com muita tiração de onda, quem tem certos amigos, tem os amigos certos. Haha.
Sobre a importância de ter os amigos certos I
Quinta-feira, primeiro dia da folia. Desci a Barra com Zéo e Sabrininha pra ver a saída dos Mascarados, mas chegamos cedo e paramos num barzinho. Lá pras tantas, ela lembrou que tinha marcado com uma amiga no centro da confusão, o palco de Bono Vox, o Edifício Oceania. Putz... Pensei que iria encarar uma multidão, mas quando chegamos lá, estava até tranqüilo. Só que, a essa altura, minha bexiga minúscula já protestava e ameaçava me deixar na mão. Esquecemos a amiga e fomos procurar um banheiro. Foi aí que, num relance divino, assim como se não tivesse tanta importância, Sabrininha lembrou que seu primo tinha um apartamento no Oceania. Como assim? Em cima do Camarote mais vip da festa, o Expresso 2222? Sim, lá mesmo. Juro que não acreditei no que estava ouvindo, mas a vontade de fazer xixi era tanta que mesmo sem conhecer ninguém era capaz de invadir qualquer recinto. Haha. Depois de muito sobe e desce – Sabrininha não lembrava o andar... – tocamos a campainha e fomos recebidos com festa. E que festa. O apê era gigante e estava cheio de gente bonita, simpática e animada. Na mesa da cozinha e da sala, deliciosos sanduíches da Perini me aguardavam com fome. Na geladeira, sobravam cervejas Skol e Bohemia. A galera tomava whisky e eu me ocupei das latinhas geladas. Inacreditável. Tudo isso já bastava, mas ainda tinha vários banheiros limpos e confortáveis à minha espera. Haha. Estou no paraíso momesco, pensei, e fui apreciar a vista. Uma sacada enorme dava para o Farol da Barra, enorme e majestoso com uma fila de de trios elétricos lá embaixo. Olhei para Zéo e Sabrininha, com cara de espanto, e percebi que eles compartilhavam a minha surpresa. Ai, ai, como é bom ser vip.
Lost
O que me importa se lá fora é carnaval? Essa alegria deslavada, essa agonia de sorrir mesmo levando pisada no pé. Essa vontade de superar o cansaço de descer ladeiras, empurrar gente, pular, andar, beber e depois subir a Barra inteira. Essa disposição, hoje eu não tenho. Até tentei disfarçar o desânimo com entusiasmo regado a whisky e música alta. Mas whisky não é mesmo minha bebida. E alegria não é o meu forte. Pelo menos hoje, se é alegria, não estou. Que me importa se lá fora é carnaval? Não sei mesmo lidar com a ausência, com a perda. E toda essa festa é fugaz. Vai sumir voando pela janela, quando o dia cinza chegar. E o que eu vou fazer, então? Haha. Vou fingir que tudo bem, como todo mundo. Vou comprar fotografias, como todo mundo. Vou contar quantas bocas beijei, como todo mundo. Vou programar a folia do ano que vem, como todo mundo. Vou voltar à idiotice, como todo mundo. Mas e a falta? E o silêncio de depois do trio? O vazio que fica no asfalto urinado e salpicado de cerveja? A perda é o álcool que virou dor de cabeça. O gosto bom não volta. Já foi, já era. E o paladar não vive de lembrança. O que me importa, afinal. Se não sei lidar com a ausência. Essa imagem, tive nítida. Foi assim, de repente, quando a matiz já estava comprometida. Quando experimentava essa tal alegria de festa dionisíaca. Numa dessas esquinas abarrotadas de gente, vi o amor perdido, em minha frente. Nos cumprimentamos. Procuramos saber como estávamos. E nos despedimos tão rápido quanto dura o êxtase do lança. Pim... adeus, evaporamos. Mas deu pra ver. No empurra-empurra do bloco que vinha, deu pra ver que o amor perdido não estava sozinho. Estava já buscando outro amor, outra paixão, outra aventura, o quer que seja, ou venha a ser, ele, o amor perdido, não estava sozinho. E nesse instante, tal qual o ébrio que retoma a consciência depois de um café bem amargo, assim mesmo percebi o barulho que faz, a gravidade que tem um amor perdido. Mesmo com o não saindo da minha boca, mesmo com a intenção firme de ser só, por enquanto, mesmo assim, entender o amor perdido não é aceitá-lo. É senti-lo quando não existe mais. É buscar o gosto que virou gole, desceu garganta. Pois então, afinal, o que me importa se lá fora é carnaval? O amor perdido pula por aí e o meu coração suspira cansado.
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