Resolvi ir trabalhar a pé. Fiz o caminho na cabeça, achei que dava, mesmo sabendo que as distâncias sempre me parecem menores do que realmente são. Era uma da tarde. O sol fazia jus ao verão, mas um ventinho de leve prometeu fazer companhia durante o caminho. Saí da 8 de dezembro, passei pela frente do Bahiano, desci a ladeira do Português e achei melhor parar no 24 horas pra sacar um dindi. Se, por um acaso da vida, eu desistisse da empreitada, precisaria de dinheiro para bancar um tx. O pit stop foi rápido. Larguei o ar condicionado da cabine e fui. Peguei a orla na altura do Cristo, numa das vistas mais lindas de Salvador. Já estava bem suada e subi a ladeira invejando as três pessoas que mergulhavam nas pocinhas lá debaixo. Passei pela frente do Espanhol, já tomado de camarotes para o carnaval. Tive que andar pela rua o tempo inteiro, desviando de ferros e parafusos e martelos. Segui a Ondina inteira em sua agonia pré-carnavalesca. Calor, fazia muito calor, mas até que não estava insuportável. Meu pé começou a doer, parei pra ver e percebi que a tira da sandália – é, eu estava de sandália – estava preparando uma bolha no meu calcanhar. Segui pelo início do Rio Vermelho, olhando a Praia e os felizardos em seus mergulhos de cabeça. Mais ladeira, chão, muito chão... e pronto. Cheguei. Toquei a campainha da agência, me alonguei, pedi um copo d´água e bebi uma garrafa inteira.
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Um comentário:
putz! que saudades de Salvador...toda sua canseira me rendeu saudade da cidade...
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