23.2.06

Carnaval

10:00. Acordei, fui no banco, passei por um carinha com uma latinha de cerveja na mão, fiz as unhas - dos pés também, que vão receber várias pisadas - entrei no mercadinho, comprei pizza pronta, atravessei os carros engarrafados e voltei pra casa. O trânsito está caótico, as pessoas estão elétricas, o clima é de festa. Como cantaria Geronimo, "já é carnaval cidade, acorda pra ver".

22.2.06

Uma placa na Flora Paulista

"Não trocamos plantas pois as mesmas são seres vivos".

Haha. Genial.

16.2.06

Da capo

E eu passei por aqui e estava tudo tão quieto, mas não era silêncio o que eu ouvia. Talvez, quem sabe, na corneta que anuncia o novo dia o sol maior tenha ficado entalado. Tarde demais pra tocar notas desafinadas. Tudo bem. É sempre cedo pra quem traz o fôlego no peito.

Na paleta

Resolvi ir trabalhar a pé. Fiz o caminho na cabeça, achei que dava, mesmo sabendo que as distâncias sempre me parecem menores do que realmente são. Era uma da tarde. O sol fazia jus ao verão, mas um ventinho de leve prometeu fazer companhia durante o caminho. Saí da 8 de dezembro, passei pela frente do Bahiano, desci a ladeira do Português e achei melhor parar no 24 horas pra sacar um dindi. Se, por um acaso da vida, eu desistisse da empreitada, precisaria de dinheiro para bancar um tx. O pit stop foi rápido. Larguei o ar condicionado da cabine e fui. Peguei a orla na altura do Cristo, numa das vistas mais lindas de Salvador. Já estava bem suada e subi a ladeira invejando as três pessoas que mergulhavam nas pocinhas lá debaixo. Passei pela frente do Espanhol, já tomado de camarotes para o carnaval. Tive que andar pela rua o tempo inteiro, desviando de ferros e parafusos e martelos. Segui a Ondina inteira em sua agonia pré-carnavalesca. Calor, fazia muito calor, mas até que não estava insuportável. Meu pé começou a doer, parei pra ver e percebi que a tira da sandália – é, eu estava de sandália – estava preparando uma bolha no meu calcanhar. Segui pelo início do Rio Vermelho, olhando a Praia e os felizardos em seus mergulhos de cabeça. Mais ladeira, chão, muito chão... e pronto. Cheguei. Toquei a campainha da agência, me alonguei, pedi um copo d´água e bebi uma garrafa inteira.

6.2.06

05:40

Xiii... Acho que hoje só amanhã...

2.2.06

03:42 AM

Xiii... Será que eu não vou dormir hoje?

Uma pedra

Foi assim. Liguei pra Manucs e perguntei como chegava na Sonido. Ela mandou pegar um busu pra Barra, saltar na Igreja e atravessar a passarela.

- Passarela? Porra, Manu, não tem outro jeito não?
- Não.
- ...
- Colé, Milovisky?!
- Eu tenho pânico de altura, heuris.
- E quer morrer atropelada, é?
- Hum... Não tem um caminho alternativo?
- Não! Mas fique tranks que é mole. O problema é quando está ventando. A passarela balaaança que é uma beleza. Mas esse não é o caso hoje.
- Okein, okein.

E lá fui eu. Quando cheguei e comecei a subir a rampa, dei de cara com uma ventania daquelas. Ah! Os carros voando lá embaixo, a passarela se oferecendo compriiida - muito mais do que é na realidade - naquele balanço gostoooso - hehe - e o pensamento só: “Grrr! Vou matar Manuela!”

Naquela de ir ou não ir, avistei um guardinha do outro lado, mirei bem e comecei a correr em sua direção. Ufa! Foi até rápido. Olhei pra cara assustada do guarda: “Hehe! É que eu tenho medo de altura” e desci a rampa corajosa.

Mais um da série Butuca

Todos os dias

Vou andando para o trabalho. Dizem que é longe, mas eu prefiro assim. Às vezes tapo os ouvidos com música, mas sempre abro bem os olhos, apesar do sono. O mesmo caminho todos os dias. Vinte minutos de passos largos e apressados à margem do trânsito caótico de Botafogo. Entre buzinas e carros afoitos, percorro a São Clemente inteira no meu silêncio observador. Depois da parada obrigatória pra faturar um pãozinho de queijo com Nescau na Select, sigo o habitual trajeto. E não é só o caminho que se repete. Toda segunda tem feira na entrada do Santa Marta. Todo dia tem gente entrando no Motel Panda, logo cedo. Todas as manhãs me bato com a mesma menina punk, piercing no nariz, tatuagem nas pernas, violão nas costas. Eu vou, ela vem. No mesmo horário, na mesma altura da rua... impressionante. E assim também, todas as vezes passo pelo mesmo mendigo, um sujeito barrigudo, cabelos grisalhos, cara de gente boa, de quem perdeu a vida em algum momento do passado e não sabe mais quem é. Eu no meu silêncio, ele no silêncio dele. Olhando para o infinito, sem dizer uma única palavra. Sentado na grade do Santo Inácio, no mesmo lugar, calado. E eu voando, brigando com o relógio, passo pelos mesmos lugares e pelas mesmas pessoas com os olhos bem abertos como quem diz bom dia.

1.2.06

E o Butuca, hein?

Cristian Jungwirth
Era uma boa idéia, mas boas idéias também precisam de dedicação. O site funcionou bem durante um tempo, juntou gente, fez amigos, autores e leitores fiéis. Depois sofreu, tadinho, sem atualização. Valeu, Butucão! Aí vai um textinho do seu arquivo.

Hora do Almoço

Bermuda bege, blusa azul claro. Saio do apartamento, atravesso a praça, corto pelos prédios. Encontro sempre o mesmo cara. Os dois vagabundos da Lauro Muller. Eu sempre de mochila. Pra quê? Ele, de chinelo. Escancarado. Me sinto mal, preciso dizer? O vazio está me enchendo o saco. Sigo pela rua, atravesso e chego no quintal. O Rio Sul. Passo nos cachorrinhos do Pet Shop e me deixo estar. “Yorkshire”, respondi a uma moça que não sabia a raça do cachorrinho esperto que roubava o brinquedo do outro. Subo a escada rolante e chego na praça de alimentação. Conheço muita gente de vista. Garçons, atendentes, caixas. Mas não sou simpática. Sento, como, pago, agradeço sem gorjeta. Sempre concentrada. Alimentando a minha criação de grilos e minhocas enquanto mastigo o peixe. Sempre assim. Todo dia quase igual. Às vezes um ou outro vem almoçar comigo, mas isso é raro. Desço, enrolo, dou mais uma olhada nos cachorrinhos, atravesso, passo na banca e compro o jornal. Conheço o dono da banca, mas me limito ao “boa tarde, obrigada”. Sigo pra casa. Barriga cheia e um vazio do tamanho da minha pança. Às vezes fujo pra Urca, mas isso é raro. Dia-a-dia bege, céu azul claro.

Pulex

Tem uma pulga passeando em meu juízo... Ai, Jisus, qué hago yo?